A Ciência das Anomalias: O Pilar da Manutenção Preditiva no Projeto DigiMaTRIA
- digimatria
- 7 de jan.
- 3 min de leitura
O Desafio da Durabilidade Industrial
No panorama da Indústria 5.0, a integridade estrutural dos ativos é um fator crítico para a continuidade operacional e sustentabilidade económica. No centro desta problemática encontram-se os painéis sanduíche, sistemas construtivos multicamada amplamente adotados em infraestruturas industriais devido à sua eficiência térmica e relação resistência/peso. Contudo, a exposição a ambientes agressivos sujeita estes elementos a uma degradação complexa.
No âmbito do projeto DigiMaTRIA, a compreensão profunda das anomalias não é apenas um exercício de diagnóstico, mas o motor para a criação de um sistema de gestão digital inteligente e preditivo.
O Ecossistema de Degradação: Agentes e Mecanismos
A investigação desenvolvida pelo DigiMaTRIA identifica que a durabilidade dos painéis sanduíche é ameaçada por uma sinergia de agentes externos:
Agentes Químicos e Corrosão: Em ambientes costeiros ou industriais, a presença de cloretos, dióxido de enxofre ($SO_2$) e humidade elevada acelera a corrosão galvânica e por picadas. Estes agentes atacam as camadas protetoras de aço, levando à perda de secção e comprometendo a aderência entre as faces e o núcleo.
Agentes Físicos e Mecânicos: Flutuações térmicas extremas provocam tensões de expansão diferencial, resultando no fenómeno de blistering (empolamento) ou na delaminação do núcleo. Além disso, impactos mecânicos e pressão de vento impõem solicitações que testam a resistência ao corte do material isolante (PUR, PIR ou Lã de Rocha).
Agentes Eletromagnéticos (UV): A radiação ultravioleta degrada os revestimentos orgânicos e poliméricos, tornando-os quebradiços e permitindo a infiltração de outros agentes agressivos.
Agentes Biológicos: O desenvolvimento de fungos e microrganismos não afeta apenas a estética; a atividade biológica pode produzir subprodutos ácidos que catalisam a corrosão biológica (MIC).

De Anomalias a Dados: A Abordagem DigiMaTRIA
O diferencial do projeto DigiMaTRIA reside na transposição deste conhecimento físico-químico para o domínio digital. A detecção de anomalias — como descoloração, corrosão visível, deformação ou descolamento — deixa de ser uma observação passiva para se tornar um ponto de dados num modelo BIM 7D (Building Information Modeling focado na manutenção).
A engenharia do projeto utiliza a Inteligência Artificial (IA) para classificar estas anomalias através de visão computacional, treinada com base nos padrões de degradação identificados na revisão bibliográfica. Ao cruzar estas imagens com dados de sensores IoT, o DigiMaTRIA consegue prever a progressão da patologia antes que esta atinja um estado crítico de falha.

O Ciclo de Vida e a Manutenção Inteligente
Para os engenheiros e gestores de ativos, a importância de focar nas anomalias reside na otimização do Ciclo de Vida (LCC). A manutenção corretiva é dispendiosa e disruptiva; a manutenção preditiva, proposta pelo DigiMaTRIA, baseia-se na "assinatura de degradação" de cada ativo.
A integração de agentes robóticos autónomos para inspeção permite uma recolha de dados sistemática e segura, eliminando o erro humano e garantindo que cada anomalia detetada seja georreferenciada no Digital Twin (Gémeo Digital) da unidade industrial.

Uma Nova Fronteira na Engenharia de Manutenção
As anomalias em painéis sanduíche são os sintomas de um sistema sob stress. O projeto DigiMaTRIA eleva a análise destas falhas a um novo patamar tecnológico, onde o diagnóstico assistido por IA e a gestão robótica transformam a preservação de ativos industriais numa ciência exata e eficiente.
Apostar no DigiMaTRIA é apostar na resiliência das infraestruturas industriais, garantindo que o conhecimento sobre a degradação dos materiais se traduza em valor acrescentado e segurança operacional a longo prazo.
Para saber mais consulte o artigo científico apresentado no CIRMARE 2025, devoto à revisão bibliográfica de anomalias de painel sandwich em edifícios industriais.
